Pediculose: O que é, Tipos, Sintomas e Tratamento
A pediculose é a infestação da pele e dos pelos por piolhos, pequenos insetos que se alimentam de sangue humano. É uma condição muito comum, altamente contagiosa e que pode atingir pessoas de todas as idades, principalmente crianças em idade escolar.
Apesar de provocar muita coceira, incômodo e até constrangimento, a pediculose tem tratamento eficaz. O segredo está em identificar corretamente o tipo de piolho, usar o produto do jeito certo e tratar também as pessoas que convivem de perto com quem está infestado.
| RESUMO RÁPIDO Existem três tipos de pediculose: do couro cabeludo, do corpo e pubiana. A infestação ativa é confirmada pela presença de piolho vivo ou lêndea viável; o pente fino ajuda muito no diagnóstico. No couro cabeludo, a permetrina 1% é a primeira escolha onde a resistência é baixa; há alternativas quando o tratamento falha. O piolho de cabeça não transmite doenças, mas pode causar coceira intensa, infecção secundária e impacto social. Pessoas que convivem de perto devem ser examinadas e, se infestadas, tratadas ao mesmo tempo. |
O que é pediculose?
Pediculose é o nome médico para a infestação por piolhos. Esses parasitas vivem exclusivamente em seres humanos e dependem do sangue para sobreviver. Eles não pulam nem voam: caminham de um fio de cabelo ou de uma peça de roupa para outro, e por isso a transmissão depende de contato próximo.
O ciclo do piolho tem três fases: a lêndea (ovo, firmemente colada à haste do fio), a ninfa (piolho jovem) e o adulto. Esse detalhe importa para o tratamento, já que muitos produtos agem melhor sobre piolhos vivos do que sobre as lêndeas, o que explica a necessidade de repetir a aplicação.
Tipos de pediculose
Cada tipo é causado por uma espécie diferente de piolho, com local de infestação e forma de transmissão próprios:
| Tipo | Agente | Onde vive | Como se transmite |
|---|---|---|---|
| Couro cabeludo | Pediculus humanus capitis | Couro cabeludo e cabelos, com preferência por nuca e atrás das orelhas | Contato direto de cabeça com cabeça; menos comumente, objetos pessoais |
| Corporal | Pediculus humanus corporis | Roupas e roupas de cama (costuras); vai à pele apenas para se alimentar | Contato próximo e compartilhamento de roupas, camas e toalhas; ligada a aglomeração e pouco acesso a banho e roupas limpas |
| Pubiana (“chato”) | Pthirus pubis | Pelos pubianos; também axilas, barba, sobrancelhas e cílios | Contato íntimo, principalmente sexual |
| IMPORTANTEA pediculose do couro cabeludo não é sinal de falta de higiene e acontece em qualquer classe social. Lavar o cabelo com frequência não impede a infestação. Evitar o estigma ajuda a família a buscar tratamento mais cedo. |
Sintomas da pediculose
Sinais mais comuns
- Coceira intensa no local da infestação, resultado da reação do corpo às picadas e à saliva do piolho. Em uma primeira infestação, ela pode demorar a aparecer, e algumas pessoas têm poucos sintomas.
- Sensação de algo se mexendo no couro cabeludo.
- Lêndeas aderidas aos fios e piolhos vivos, que são pequenos, rápidos e difíceis de ver.
- Feridas, pontos avermelhados e crostas causados pela coçadura.
Complicações
A coçadura constante pode abrir a barreira da pele e levar a infecção bacteriana secundária (impetiginização), com crostas amareladas, secreção e aumento dos gânglios do pescoço e da nuca. Quando isso ocorre, além de eliminar os piolhos é preciso tratar a infecção. Saiba mais em Impetigo.
Particularidades de cada tipo
- Corporal: coceira no tronco, cintura, axilas e raiz das coxas, com marcas de coçadura. Em quadros prolongados, a pele pode ficar espessada e escurecida. O piolho de corpo pode transmitir doenças como tifo epidêmico, febre das trincheiras (Bartonella quintana) e febre recorrente epidêmica.
- Pubiana: coceira na região pubiana, piolhos e lêndeas nos pelos e, às vezes, pequenas manchas azuladas ou acinzentadas na pele. Pode atingir cílios e sobrancelhas.
- Imunodeprimidos: a infestação pode ser mais intensa e com maior risco de complicações.
| ATENÇÃO EM CRIANÇAS Piolhos nos cílios ou nas sobrancelhas de uma criança não são piolhos de cabeça. Costumam ser Pthirus pubis e merecem avaliação médica cuidadosa, com acolhimento da família. |

Diagnóstico
O diagnóstico é clínico. A confirmação de infestação ativa se faz pela visualização de piolho vivo, ninfa ou lêndea viável no couro cabeludo ou nos pelos acometidos.
O pente fino (dentes espaçados em cerca de 0,2 a 0,3 mm) é cerca de duas vezes mais eficaz e quatro vezes mais rápido do que o pente comum para detectar a infestação. Passá-lo em cabelo úmido, com condicionador, facilita a visualização.
| LÊNDEA NÃO É SINÔNIMO DE INFESTAÇÃO ATIVA Lêndeas coladas ao fio não significam, por si só, que há piolhos vivos: podem ser ovos antigos ou vazios. Já a caspa solta com facilidade ao sacudir o cabelo, enquanto a lêndea permanece firme. |
É importante diferenciar a pediculose de outras causas de coceira, como dermatite seborreica, dermatite atópica, alergias, escabiose e foliculite. No caso de pediculose pubiana, recomenda-se também investigar outras infecções sexualmente transmissíveis, como [sífilis].
Tratamento da pediculose
O tratamento depende do tipo de piolho e da gravidade. A escolha do produto considera segurança, eficácia, resistência local e custo, além da idade e das condições de saúde da pessoa.
Pediculose do couro cabeludo
| Opção | Quando é usada | Observações |
|---|---|---|
| Permetrina 1% (loção ou xampu) | Primeira linha, onde a resistência é baixa | Seguir a bula quanto ao modo de aplicação e ao tempo de contato. Repetir em 7 a 10 dias, conforme orientação. A resistência é crescente |
| Pente fino com condicionador (wet combing) | Crianças menores de 2 anos; complemento a qualquer tratamento | Sem medicamento. Repetir a cada poucos dias, por 2 semanas, até não haver mais piolhos vivos |
| Dimeticona | Alternativa quando se suspeita de resistência ou há falha do tratamento | Ação física sobre o piolho, sem depender de neurotoxicidade |
| Outros tópicos (malationa, álcool benzílico, espinosade, ivermectina tópica) | Falha da primeira linha com reinfestação descartada | Prescrição médica; a disponibilidade no Brasil varia |
| Ivermectina oral (200 µg/kg, repetida em 7–10 dias) | Reservada a quem não responde ao tratamento tópico adequado | Verificar restrições de idade/peso e gestação na bula |
| Sulfametoxazol-trimetoprima | Uso excepcional, em quem não responde ao tratamento tópico | Indicação médica individualizada |
| FALHA DE TRATAMENTO OU REINFESTAÇÃO? Antes de trocar de medicamento, confira: o produto foi aplicado na quantidade e no tempo corretos? A segunda aplicação foi feita? Os contactantes foram examinados? Muitas “falhas” são, na verdade, reinfestações por contato com alguém que não foi tratado. Se tudo foi feito corretamente e os piolhos persistem, pode haver resistência ao produto. |
Cuidados com o ambiente e com os contactantes
- Lave em máquina com água quente e seque em calor alto as roupas, toalhas e roupas de cama usadas nos 2 a 3 dias anteriores ao tratamento.
- Não é necessário dedetizar a casa. O piolho sobrevive muito pouco longe do couro cabeludo.
- Examine todas as pessoas que convivem de perto e trate apenas as que estiverem infestadas, ao mesmo tempo.
Pediculose corporal
O foco do tratamento está nas roupas e na roupa de cama, onde os piolhos vivem. Lavar em água quente (pelo menos 54 °C) e secar em calor alto elimina piolhos e lêndeas. Banho regular e acesso a roupas limpas são fundamentais. Em alguns casos, o médico pode indicar um pediculicida para a pele. Quando há aglomeração ou dificuldade de acesso a lavanderia, o tratamento depende também de apoio social.
Pediculose pubiana
- Permetrina 1% em loção ou creme sobre as áreas afetadas, lavando após 10 minutos. Repetir em 9 a 10 dias se ainda houver piolhos vivos.
- Cílios e sobrancelhas: não use esses produtos perto dos olhos. Remova poucos piolhos com pente de lêndeas ou com as unhas, ou use pomada oftálmica oclusiva ou vaselina nas margens das pálpebras, 2 vezes ao dia por 10 dias, sob orientação médica.
- Parceiros sexuais do último mês devem ser avisados e tratados. Raspar os pelos não resolve.
- Lave roupas, toalhas e roupa de cama usadas nos 2 a 3 dias anteriores ao tratamento e avalie a presença de outras ISTs.
Gestantes, lactantes, crianças pequenas e imunodeprimidos
Em gestantes e lactantes, a permetrina tópica costuma ser a opção mais segura, e a ivermectina oral deve ser evitada. Em crianças menores de 2 anos, a preferência é o pente fino. Em imunodeprimidos, a infestação pode ser mais extensa e a escolha do tratamento, incluindo a ivermectina oral, deve ser individualizada pelo médico.
| CUIDADO COM REMÉDIOS CASEIROS Vinagre, maionese, óleos e outros produtos caseiros não têm eficácia comprovada. Produtos inflamáveis ou tóxicos, como querosene e álcool, são perigosos e nunca devem ser usados no couro cabeludo, sobretudo em crianças. |
Prevenção da pediculose
- Evite o contato direto de cabeça com cabeça durante brincadeiras e atividades em grupo.
- Evite compartilhar pentes, escovas, bonés, toalhas e roupas.
- Examine o cabelo de crianças periodicamente, em especial durante surtos na escola, e avise a escola e os responsáveis quando houver casos.
- Cabelos longos presos durante o período escolar ajudam a reduzir o contato.
- Trate todos os contactantes infestados ao mesmo tempo, para evitar reinfestação.
- Na pediculose pubiana, avise parceiros sexuais recentes.
Quando procurar um médico
- Os piolhos persistem mesmo após o tratamento feito corretamente.
- Há sinais de infecção secundária: pus, crostas amareladas, dor, febre ou gânglios aumentados.
- A pessoa é gestante, lactante, bebê ou imunodeprimida.
- Há suspeita de pediculose pubiana (para investigar outras ISTs) ou piolhos em cílios e sobrancelhas de crianças.
- Surgem reações ao medicamento usado ou há dúvida sobre o diagnóstico.
Perguntas frequentes
O piolho transmite doenças?
O piolho de cabeça não transmite doenças, embora cause coceira, risco de infecção secundária e desconforto social. Já o piolho de corpo pode transmitir doenças como tifo epidêmico e febre das trincheiras.
Piolho pula ou voa?
Não. Ele caminha pelos fios. Por isso, a transmissão acontece principalmente por contato direto de cabeça com cabeça.
Quando devo repetir o tratamento?
Em geral, 7 a 10 dias após a primeira aplicação, para eliminar os piolhos que nasceram das lêndeas que sobreviveram. Siga a orientação da bula ou do médico.
Preciso lavar toda a casa?
Não. Basta lavar em água quente e secar em calor alto as roupas, toalhas e roupas de cama usadas nos 2 a 3 dias anteriores ao tratamento. Não é necessário dedetizar o ambiente.
Posso usar vinagre, maionese ou querosene?
Não há comprovação de eficácia para esses produtos, e alguns, como o querosene, são perigosos. O tratamento deve seguir produtos e técnicas com eficácia e segurança estudadas.

A pediculose é comum e incômoda, mas tem solução. O diagnóstico correto, o uso adequado do tratamento, a repetição no tempo certo e o cuidado com quem convive de perto são o que realmente controlam a infestação. Diante de dúvida, falha de tratamento ou sinais de infecção, procure avaliação médica.
| CUIDADO INDIVIDUALIZADO Dra. Mirelle Furlan · Médica | Saúde da Pele · CRM 113.156 | RQE Clínica Médica 36311 Atendimento presencial em Moema, São Paulo, e por telemedicina para todo o Brasil. Agende sua consulta pelo WhatsApp (11) 99855-4388 ou em mirellefurlan.com.br/consulta-online/ |
Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a avaliação médica individualizada.
Leia também
- Escabiose: O que é, Tipos, Causas, Sintomas e Tratamento
- Impetigo: O que é, Tipos, Causas, Sintomas e Tratamento
- Dermatite Atópica: O Que É, Causas, Sintomas e Tratamento
- Sífilis: O Que é, Sintomas, Estágios, Tratamento e Prevenção
Referências
- Leung AKC, Lam JM, Leong KF, Barankin B, Hon KL. Paediatrics: how to manage pediculosis capitis. Drugs Context. 2022;11:2021-11-3. doi:10.7573/dic.2021-11-3. PMID: 35371269. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35371269/
- Apet R, Prakash L, Shewale KH, Jawade S, Dhamecha R. Treatment Modalities of Pediculosis Capitis: A Narrative Review. Cureus. 2023;15(9):e45028. doi:10.7759/cureus.45028. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC10566308/
- Centers for Disease Control and Prevention. Sexually Transmitted Infections Treatment Guidelines: Ectoparasitic Infections. Disponível em: https://www.cdc.gov/std/treatment-guidelines/ectoparasitic.htm
- Centers for Disease Control and Prevention. Treatment of Pubic Lice. Disponível em: https://cdc.gov/lice/treatment/pubic-lice.html
- Centers for Disease Control and Prevention. About Body Lice. Disponível em: https://cdc.gov/lice/about/body-lice.html
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