Estrias Brancas e Vermelhas: Diferenças, Tratamentos e O Que Funciona

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Poucas queixas de pele atravessam tantas fases da vida quanto as estrias. Elas surgem no estirão da adolescência, na gestação, depois de uma mudança rápida de peso, com o treino de força e também na perimenopausa. Quase todo mundo conhece alguém que as tem, e boa parte das pessoas já tentou algum creme, óleo ou “receita” sem entender direito o que estava tratando.

A primeira informação que muda o resultado é esta: estria vermelha e estria branca não são a mesma coisa. Elas estão em momentos biológicos diferentes e, por isso, respondem de forma diferente aos tratamentos. Entenda essa diferença, o papel do ácido retinoico, o que são os ativos manipuláveis (como o Vegelip), onde entram os óleos (como o de framboesa) e o que é realista esperar.

⚠️  Resposta rápida
Estrias vermelhas são recentes e inflamadas: é a melhor janela de tratamento, e o ácido retinoico (tretinoína) é o ativo com mais evidência nessa fase.
Estrias brancas são cicatrizes atróficas mais antigas: o tratamento tópico melhora pouco, e a combinação com procedimentos costuma render mais.
Ativos manipulados e óleos ajudam como coadjuvantes (hidratação, barreira, suporte à pele), mas nenhum creme apaga completamente uma estria.
Ácido retinoico não deve ser usado na gestação nem na amamentação.

O que são estrias e por que aparecem

As estrias (striae distensae) são lesões lineares da pele que se formam quando a derme é submetida a estiramento e a alterações do tecido de sustentação. Na prática, há uma combinação de fatores: tensão mecânica na pele, influência hormonal (incluindo o cortisol), predisposição genética e alterações nas fibras de colágeno e elastina e na função dos fibroblastos.

Em quais fases da vida elas são mais comuns

  • Adolescência: o crescimento acelerado costuma gerar estrias em coxas, glúteos, mamas e região lombar, em meninas e meninos.
  • Gestação: é a situação mais estudada. Estima-se que a maioria das gestantes, com variações entre 50% e 90% nos estudos, desenvolva estrias, em especial se há histórico familiar, idade materna mais jovem e ganho de peso acentuado.
  • Variações rápidas de peso: ganho ou perda em pouco tempo, incluindo o período de emagrecimento intenso.
  • Treino de força e ganho de massa: o aumento rápido do volume muscular pode estirar a pele em ombros, peitoral e braços.
  • Uso de corticoides e alterações hormonais: corticoide prolongado (tópico ou sistêmico) fragiliza o tecido de sustentação da pele.
  • Perimenopausa e menopausa: a queda de estrogênio reduz espessura e elasticidade, e estrias antigas podem ficar mais evidentes.
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Estrias vermelhas x estrias brancas: qual a diferença?

A estria passa por fases. No início há inflamação e dilatação dos vasos, o que dá a cor avermelhada ou arroxeada (striae rubrae). Com o tempo, a inflamação regride, a pele da área fica mais fina e com menos colágeno e pigmento, e a estria assume um tom pálido e uma textura levemente deprimida (striae albae).

CaracterísticaEstria vermelha (rubra)Estria branca (alba)
FaseInicial, com inflamação ativaTardia, cicatricial
CorRosada, vermelha ou arroxeadaEsbranquiçada, nacarada
TexturaPode ser discretamente elevada e sensívelFina, levemente deprimida
SintomasPode coçar ou incomodarEm geral sem sintomas
Resposta ao tratamentoMelhor: há atividade biológica a modularMais limitada: depende de estímulo e de procedimentos
Objetivo realistaAtenuar cor, largura e extensãoMelhorar textura e aparência; suavizar contraste

⚠️  Ponto clínico importante
Quanto antes a estria vermelha é tratada, maior a chance de uma resposta satisfatória. Esperar “ficarem brancas” para começar é um dos erros mais comuns.

Tratamento das estrias vermelhas: a janela de oportunidade

Como as estrias vermelhas ainda têm componente inflamatório e vascular, o objetivo é modular a inflamação, estimular a reorganização da derme e proteger a pele da agressão contínua. Isso envolve ativos tópicos com prescrição, hidratação consistente e, quando indicado, procedimentos em consultório.

Ácido retinoico (tretinoína): o que a evidência mostra

A tretinoína é o ativo tópico com estudos mais consistentes no tratamento de estrias recentes. Ensaios clínicos que usaram creme de tretinoína a 0,1% observaram melhora em largura e comprimento de estrias em fase inicial, com resposta menor quando a estria já é branca e madura. Os estudos tiveram amostras pequenas e acompanhamento curto, o que limita a força das conclusões, mas esse é o padrão de evidência mais robusto entre os tópicos.

Como o retinoide atua: estimula a renovação celular, favorece a produção de colágeno e a organização da matriz da derme e modula a inflamação local. Por isso, funciona melhor quando há atividade biológica ainda presente, ou seja, nas estrias vermelhas.

Como é usado na prática clínica

  • Prescrição individualizada: concentração e veículo definidos pela médica (cremes e géis em concentrações crescentes, com adaptação gradual).
  • Uso noturno e fotoproteção diária rigorosa. A pele em tratamento fica mais sensível ao sol, e o sol agrava a diferença de cor da estria.
  • Paciência: a avaliação de resposta costuma exigir semanas a meses de uso regular.
  • Irritação (vermelhidão, descamação, ardor) é possível; hidratação e ajuste de frequência fazem parte do plano.
  • Peeling com ácido retinoico em consultório pode ser considerado em protocolos individualizados, em áreas selecionadas e com avaliação prévia.
⚠️  Atenção: gestação e amamentação
Retinoides tópicos não devem ser usados na gestação, em quem está tentando engravidar nem durante a amamentação sem orientação médica individual. Se você está nessas fases, o caminho é hidratação, cuidados de barreira e ativos seguros, listados mais adiante.
Este conteúdo é informativo e não substitui consulta. Fórmulas manipuladas exigem prescrição.

Estrias brancas têm tratamento?

Têm, mas com expectativa honesta. A estria branca é uma área de pele mais fina, com menos colágeno e menos melanócitos funcionantes. Cremes isoladamente costumam entregar melhoras discretas. Os resultados melhores aparecem quando se combina estímulo tópico com procedimentos que induzem remodelamento da derme.

  • Ácido glicólico associado à tretinoína ou à vitamina C: estudo comparativo em estrias brancas observou melhora em parte dos pacientes com essas associações, com resposta moderada.
  • Microagulhamento: estimula a produção de colágeno por microlesões controladas, em sessões seriadas.
  • Lasers e fontes de luz (fracionados e outras tecnologias): revisões mostram resultados variáveis, com melhor perfil quando bem indicados ao tipo de pele e à fase da estria.
  • Associações: em geral, a combinação de duas ou mais estratégias supera uma única.
⚠️  Expectativa realista
O objetivo é melhorar a aparência: reduzir contraste, largura e textura. Quem promete “eliminar estrias” está prometendo o que a ciência ainda não entrega.

Ativos manipuláveis: o que podem fazer por você

A manipulação permite montar fórmulas personalizadas, associando ativos com mecanismos complementares ao tipo de estria, à idade, à fase de vida e à sensibilidade da pele. Veja os principais:

AtivoPara que serveNível de evidência / observações
Tretinoína (ácido retinoico)Estimula renovação e colágeno; modula inflamaçãoMelhor evidência em estrias vermelhas recentes. Contraindicada na gestação e amamentação. Exige fotoproteção
Ácido glicólicoEsfoliação e estímulo de renovaçãoUsado em associações para estrias brancas. Pode irritar
Vitamina C (ácido ascórbico)Antioxidante; suporte à síntese de colágenoUsada em associações. Estabilidade da fórmula é um ponto técnico
Centella asiática (asiaticosídeo)Apoio à cicatrização e à matriz da dermeEstudos de prevenção na gestação com resultados inconsistentes
Ácido hialurônicoHidratação e conforto da pelePapel de suporte, sem evidência de eliminar estrias
Blend de lipídios vegetaisReposição lipídica, emoliência e reforço da barreira cutâneaPode ser indicado em estrias, dermatites e cuidados na gestação

Óleos para estrias: framboesa e outras opções

Óleos vegetais ajudam principalmente por emoliência: reduzem o ressecamento, melhoram a sensação de elasticidade e funcionam bem como veículo para a massagem. A massagem em si melhora a adesão e o cuidado diário com a área.

Óleo de semente de framboesa

Rico em ácidos graxos poli-insaturados (como linoleico e alfa-linolênico) e em tocoferóis (vitamina E), o óleo de framboesa é um coadjuvante interessante para hidratação, barreira e ação antioxidante, e aparece em fórmulas manipuladas associado a outros ativos para estrias. Ele pode ser usado puro ou incorporado ao creme.

Outras opções

  • Óleo de rosa mosqueta: muito usado em cicatrizes e estrias; plausível como hidratante e emoliente, com evidência clínica específica limitada.
  • Óleo de amêndoas e de girassol: emolientes acessíveis e geralmente bem tolerados.
  • Atenção a alergias: teste em área pequena antes. Óleos com fragrância podem irritar peles sensíveis.

Tratamento por faixa etária e momento de vida

FaseConduta mais comumCuidados
AdolescênciaHidratação diária; avaliar ativos tópicos prescritos nas estrias vermelhasEvitar produtos agressivos; fotoproteção; acompanhamento para ajustar a fórmula
Adulta jovem (sem gestação)Retinoide tópico em estrias vermelhas; associações para brancas; procedimentos conforme casoRetinoide exige método contraceptivo eficaz e orientação médica
GestaçãoHidratação, massagem, óleos e cremes seguros, controle de ganho de peso gradualSem retinoides. Evitar ativos sem avaliação de segurança
Pós-parto e amamentaçãoHidratação e ativos compatíveis; planejar retinoide após o desmame, com orientaçãoRever segurança de cada ativo durante a amamentação
Perimenopausa e menopausaEstímulo de colágeno, hidratação, procedimentos em consultórioPele mais fina e seca: ajustar concentrações e ritmo
Homens (treino de força, uso de esteroides)Retinoide em estrias vermelhas; associar procedimentos para brancasInvestigar uso de anabolizantes e corticoides, que agravam a fragilidade da pele

Procedimentos em consultório: quando considerar

Quando o tópico não basta, especialmente nas estrias brancas ou extensas, vale avaliar procedimentos. A escolha depende da cor da estria, do fototipo, da área tratada e do histórico de manchas pós-inflamatórias. Revisões da literatura descrevem resultados variáveis e mostram que o benefício costuma ser gradual, em sessões seriadas, e que protocolos combinados tendem a ter melhor desfecho.

  • Microagulhamento (estímulo de colágeno).
  • Lasers e luz conforme a cor e o fototipo.
  • Peelings orientados à área e ao tipo de pele.
⚠️  Cuidado com fototipos mais escuros
Em peles morenas e negras, procedimentos mal indicados podem causar manchas pós-inflamatórias. A avaliação prévia faz parte do tratamento.

Prevenção: o que realmente ajuda

Não existe um creme que garanta que a estria não vai aparecer, porque o fator genético pesa muito. Revisões, incluindo uma revisão Cochrane sobre prevenção na gestação, não mostram evidência consistente a favor de nenhum produto isolado. Ainda assim, algumas atitudes ajudam a reduzir o risco ou a gravidade:

  • Ganho de peso gradual e controle de oscilações bruscas.
  • Hidratação diária e massagem da pele nas áreas de risco.
  • Tratar cedo a estria vermelha em vez de esperar.
  • Evitar corticoides sem indicação e discutir qualquer uso prolongado com a médica.
  • Fotoproteção nas áreas afetadas.

Erros comuns no tratamento de estrias

  • Esperar a estria clarear para começar o tratamento.
  • Usar ácido retinoico sem prescrição, ou durante a gestação e a amamentação.
  • Acreditar que um óleo “apaga” a estria.
  • Não usar protetor solar durante o tratamento.
  • Desistir em poucas semanas: o remodelamento da pele é lento.
  • Comprar fórmulas prontas “milagrosas” sem entender o que contêm.

Quando procurar avaliação médica

Se as estrias são muito numerosas, largas, de cor arroxeada intensa ou aparecem sem relação clara com crescimento, gestação ou mudança de peso, vale uma avaliação. Em alguns casos, elas são pista de uso de corticoides ou de alterações hormonais que precisam ser investigadas.

⚠️  Procure avaliação se houver
Estrias extensas e violáceas associadas a ganho de peso no tronco, face arredondada, fraqueza, pressão alta ou alterações menstruais.
Uso prolongado de corticoides, tópicos ou orais.
Estrias que doem, ulceram ou mudam rapidamente de aspecto.

Perguntas frequentes (FAQ)

Estria vermelha tem cura?

A estria vermelha tem a melhor resposta ao tratamento, e é possível atenuar bastante cor, largura e extensão. Falar em “cura” completa seria impreciso: o objetivo é melhorar a aparência.

Dá para tirar estria branca?

Dá para melhorar, em graus variáveis, principalmente com associação de ativos tópicos e procedimentos. A eliminação total não é um resultado realista.

Ácido retinoico funciona para estrias?

Tem a melhor evidência entre os tópicos, sobretudo em estrias recentes e vermelhas. Exige prescrição, fotoproteção e não pode ser usado na gestação e na amamentação.

Óleo de framboesa trata estrias?

Ele hidrata, tem ação antioxidante e funciona como coadjuvante em fórmulas, mas sozinho não apaga estrias.

O que é o Vegelip e ele serve para estrias?

É um blend de lipídios vegetais (cártamo, framboesa, girassol, groselha negra e oliva, com vitamina E) usado em fórmulas manipuladas para reforçar barreira e hidratação.

Estrias na adolescência precisam de tratamento?

Podem ser tratadas quando incomodam, e o ideal é começar cedo, enquanto estão vermelhas, com orientação médica.

Posso tratar estrias durante a gestação?

Pode-se cuidar com hidratação, massagem e produtos seguros. Retinoides devem ser evitados, e o tratamento com ativos fica para depois, com orientação.

Quanto tempo leva para ver resultado?

Em geral, semanas a meses de uso regular. Procedimentos costumam exigir várias sessões.

Leia também

Referências científicas

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Dra. Mirelle Furlan ·  CRM 113.156 | RQE Clínica Médica 36311
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