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Herpes Zoster Sem Erupção Cutânea: Compreendendo o Zoster Sine Herpete

Herpes Zoster Sem Erupção Cutânea: Compreendendo o Zoster Sine Herpete

O herpes zoster, conhecido popularmente como “cobreiro”, é uma infecção viral causada pela reativação do vírus varicela-zóster (VZV). Embora classicamente se manifeste por meio de uma erupção cutânea dolorosa, existe uma forma atípica denominada zoster sine herpete, na qual o paciente apresenta sintomas neurológicos característicos sem o aparecimento das lesões na pele. Essa variante pode dificultar o diagnóstico e atrasar o início do tratamento adequado.​

O Que é o Herpes Zoster?

O herpes zoster ocorre devido à reativação do VZV, o mesmo agente responsável pela catapora. Após a infecção primária, o vírus permanece latente nos gânglios nervosos e pode ser reativado anos depois, geralmente devido a uma diminuição da imunidade. A manifestação clássica inclui dor localizada seguida pelo surgimento de vesículas agrupadas ao longo de um dermátomo específico.​

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Zoster Sine Herpete: Quando a Erupção Está Ausente

No caso do zoster sine herpete, a reativação do VZV ocorre sem a formação das vesículas cutâneas. Os pacientes podem experimentar:​

  • Dor intensa e localizada em uma área específica do corpo.
  • Sensação de queimação ou formigamento na região afetada.
  • Hiperalgesia (aumento da sensibilidade ao toque).
  • Sintomas sistêmicos leves, como febre ou mal-estar.

Essa ausência de lesões visíveis torna o diagnóstico desafiador, pois os sintomas podem ser facilmente atribuídos a outras condições neurológicas ou musculoesqueléticas.​

Diagnóstico do Zoster Sine Herpete

A identificação do zoster sine herpete requer uma avaliação clínica cuidadosa. Além da anamnese detalhada e do exame físico, exames complementares podem ser úteis:​

  • Reação em cadeia da polimerase (PCR) para detectar DNA do VZV no líquido cefalorraquidiano ou em amostras de sangue.
  • Sorologia para identificar a presença de anticorpos específicos contra o VZV.

Um estudo publicado no Journal of Infectious Diseases em 1992 discutiu casos de reativação do VZV sem erupção cutânea, destacando a importância de considerar essa possibilidade em pacientes com dor radicular sem causa aparente .

Tratamento e Manejo

O manejo do zoster sine herpete é semelhante ao do herpes zoster clássico e inclui:​

  • Antivirais: Medicamentos como aciclovir, valaciclovir ou fanciclovir são eficazes na redução da replicação viral e devem ser iniciados o mais cedo possível.​
  • Analgésicos: Para controle da dor, podem ser utilizados anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) ou analgésicos mais potentes, dependendo da intensidade da dor.​
  • Corticosteroides: Em alguns casos, são prescritos para diminuir a inflamação e o risco de complicações.​

Complicações Potenciais

Sem tratamento adequado, o zoster sine herpete pode levar a complicações como:​

  • Neuralgia pós-herpética: Dor persistente na área afetada que pode durar meses ou anos após a resolução da infecção aguda.​
  • Comprometimento neurológico: Dependendo dos nervos envolvidos, podem ocorrer déficits motores ou sensoriais.​

Prevenção: O Papel da Vacinação

A vacinação contra o herpes zoster é uma estratégia eficaz para prevenir a reativação do VZV. Recomenda-se a imunização para indivíduos acima de 50 anos, o que reduz significativamente a incidência tanto do herpes zoster clássico quanto do zoster sine herpete.​

O zoster sine herpete é uma forma atípica e frequentemente subdiagnosticada do herpes zoster. A ausência de erupção cutânea requer uma abordagem diagnóstica criteriosa, considerando a possibilidade dessa condição em pacientes com dor neuropática sem causa aparente. O tratamento precoce é essencial para aliviar os sintomas e prevenir complicações. Diante de sintomas sugestivos, é fundamental procurar avaliação médica especializada para um diagnóstico preciso e início imediato do tratamento adequado.​

Referências

GILDEN, D. H. et al. Varicella-Zoster Virus Reactivation without Rash. Journal of Infectious Diseases, v. 166, supl. 1, p. S30–S34, 1992. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/1320648/. Acesso em: 26 mar. 2025.

SWEENEY, C. J.; GILDEN, D. H. Ramsay Hunt syndrome. Journal of Neurology, Neurosurgery & Psychiatry, v. 71, n. 2, p. 149–154, 2001. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1737523/. Acesso em: 26 mar. 2025.

Médica formada pela Faculdade de Medicina do ABC no ano de 2003. Residência e Título de Especialista em Clínica Médica pela mesma faculdade. Dermatologia através de uma Abordagem Funcional Integrativa.

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