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Queda de Cabelo Após COVID-19 e Estresse: O que você precisa saber sobre Eflúvio Telógeno e Como Tratar

A queda de cabelo tem sido uma queixa persistente e angustiante para muitas pessoas que se recuperaram da COVID-19, somando-se ao impacto do estresse generalizado dos últimos anos. Não se trata apenas de uma preocupação estética; para muitos, é um sintoma físico que afeta diretamente a autoestima e o bem-estar emocional.

Esta condição, cientificamente conhecida como Eflúvio Telógeno (ET), é a forma mais comum de alopecia pós-infecção e pós-trauma. Saiba mais o que é o eflúvio telógeno, como ele se relaciona com a COVID-19 e o estresse, e, o mais importante, apresentar as melhores opções de tratamento para estimular o crescimento de fios fortes e saudáveis.

O Eflúvio Telógeno (ET) é uma condição capilar caracterizada pela perda de cabelo difusa e acentuada em todo o couro cabeludo, não se concentrando apenas em áreas específicas. É uma condição reversível e não cicatricial, o que significa que o folículo piloso não é permanentemente danificado e o cabelo tem potencial para crescer novamente.

O Ciclo Capilar e o Eflúvio Telógeno

Para entender o ET, é crucial conhecer o ciclo de vida do cabelo, que se divide em três fases principais:

  1. Fase Anágena (Crescimento): Dura de 2 a 6 anos e é quando o fio está ativamente crescendo. Cerca de 85% a 90% dos seus fios estão nessa fase.
  2. Fase Catágena (Transição): Dura algumas semanas, e o folículo começa a se encolher.
  3. Fase Telógena (Repouso e Queda): Dura cerca de 2 a 3 meses. É a fase em que o cabelo velho repousa no folículo antes de cair, sendo substituído por um novo fio que inicia a fase anágena. Normalmente, perdemos cerca de 100 fios por dia que estão nesta fase.

No Eflúvio Telógeno, um fator desencadeante (como uma doença grave, febre, estresse intenso ou deficiência nutricional) provoca a entrada prematura e sincronizada de uma grande quantidade de folículos (em vez dos 10% normais) da fase anágena para a fase telógena. O resultado é uma queda capilar volumosa que se manifesta cerca de 2 a 3 meses após o evento desencadeador.

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A Relação entre COVID-19 e Queda de Cabelo

Desde o início da pandemia, a queda excessiva dos fios se tornou uma das sequelas pós-COVID mais comuns. Estudos mostram que uma parcela significativa de pacientes recuperados (alguns estudos indicam até 48% ou mais, embora a porcentagem varie) experimentou o Eflúvio Telógeno Agudo meses após a infecção.

Por que a COVID-19 Causa o Eflúvio Telógeno?

O corpo reage à infecção da COVID-19 (e a outras doenças graves) de várias maneiras que impactam o ciclo capilar:

  • Resposta Inflamatória Sistêmica: A infecção desencadeia uma forte resposta inflamatória no corpo, com a elevação de citocinas pró-inflamatórias. Essa inflamação pode “inflamar” o folículo piloso, interrompendo o crescimento dos queratinócitos e forçando os fios a entrar prematuramente na fase de repouso (telógena).
  • Febre Alta e Sintomas Intensos: A febre alta e o trauma físico da doença grave, como a necessidade de internação, são estressores fisiológicos diretos que podem funcionar como o “gatilho” para o Eflúvio Telógeno.
  • Deficiências Nutricionais: A doença pode levar a uma má absorção de nutrientes ou a uma maior demanda do organismo por vitaminas e minerais essenciais para o crescimento capilar, como ferro e zinco.

O Impacto do Estresse Emocional (Estresse e Ansiedade)

Além do estresse físico da doença, o estresse emocional provocado pela pandemia (ansiedade, medo da doença, isolamento, questões financeiras) é um fator de risco potente para o Eflúvio Telógeno. O corpo não distingue facilmente entre estresse físico e emocional.

Cortisol e o Ciclo Capilar

O mecanismo principal está ligado ao cortisol, o “hormônio do estresse”.

  1. Aumento de Cortisol: Em períodos de estresse intenso ou ansiedade crônica, a produção de cortisol aumenta.
  2. Sinal de Alerta: Altos níveis de cortisol sinalizam ao corpo que ele está em “estado de alerta” ou de sobrevivência.

Muitos pacientes relatam que a queda de cabelo por estresse e a queda pós-COVID se somaram, criando um ciclo vicioso: o estresse causa a queda, e a perda capilar visível agrava o estresse e a ansiedade, piorando ainda mais o quadro.

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Como Identificar e Diferenciar a Queda

É fundamental saber se sua queda de cabelo é um Eflúvio Telógeno ou outro tipo de alopecia, como a Alopecia Androgenética (Calvície).

Características do Eflúvio Telógeno:

CaracterísticaEflúvio Telógeno (Pós-COVID/Estresse)Alopecia Androgenética (Calvície)
Padrão de QuedaDifusa em todo o couro cabeludo.Padrão específico (entradas, coroa, topo da cabeça).
Intensidade da QuedaIntensa e abrupta, com grande volume de fios caindo.Progressiva e gradual.
ReversibilidadeTemporária e reversível. O cabelo tende a se recuperar.Crônica e progressiva, exige tratamento contínuo.
InícioCerca de 2 a 3 meses após o evento (doença, estresse).Início gradual, muitas vezes relacionado à genética.

Alerta: Se a queda for localizada, se houver falhas com cicatrizes, ou se a queda for persistente por mais de 6 a 12 meses sem sinais de melhora, é crucial procurar um dermatologista ou tricologista.

A boa notícia é que o Eflúvio Telógeno é, na maioria dos casos, autolimitado e reversível. A principal meta do tratamento é fornecer ao folículo piloso os recursos necessários para retornar à fase anágena e estimular o crescimento de novos fios.

1. Tratamento da Causa Desencadeante

O passo mais importante é a eliminação ou o manejo do fator desencadeante:

  • Pós-COVID: A queda tende a cessar quando o corpo se recupera da inflamação.
  • Estresse e Ansiedade: É essencial adotar estratégias de manejo do estresse, como a prática de exercícios físicos, meditação, técnicas de respiração e, se necessário, acompanhamento psicológico ou psiquiátrico.

2. Suplementação Nutricional

A suplementação pode ser vital para garantir que o corpo tenha os “tijolos” necessários para construir novos fios. No entanto, deve ser feita sob orientação médica, após exames laboratoriais que identifiquem possíveis deficiências nutricionais.

Nutrientes-Chave para o Cabelo:

  • Ferro e Ferritina: Níveis baixos são uma causa comum de queda. A reposição de ferro é frequentemente indicada.
  • Vitaminas do Complexo B: Essenciais para o metabolismo celular e a divisão celular.
  • Zinco e Selênio: Minerais importantes para a saúde do folículo.
  • Vitamina D: Níveis adequados são cruciais para o ciclo capilar.
  • Biotina e Queratina: Suplementos populares que ajudam a fortalecer o fio novo que está nascendo.

3. Tratamentos Tópicos e Orais

O dermatologista pode prescrever produtos para serem aplicados diretamente no couro cabeludo ou medicamentos orais para encurtar a fase telógena e acelerar o retorno à fase de crescimento.

  • Minoxidil Tópico: Um dos tratamentos mais eficazes, age prolongando a fase anágena.
  • Loções Estimulantes: Produtos com ativos como Fatores de Crescimento ou cafeína.
  • Medicamentos Orais: Podem incluir complexos vitamínicos formulados especificamente, nutracêuticos e, em alguns casos, substâncias que modulam a resposta inflamatória.

Enquanto o Eflúvio Telógeno se resolve, alguns hábitos podem ajudar a preservar a saúde dos fios existentes e otimizar o novo crescimento:

  • Dieta Balanceada: Mantenha uma alimentação rica em proteínas (carne, ovo, leguminosas), que são o principal componente do cabelo, e em alimentos coloridos, fontes de antioxidantes e vitaminas.
  • Higienização Suave: Evite lavar os cabelos com água muito quente e use shampoos suaves. Lembre-se que lavar o cabelo não o faz cair mais, apenas remove os fios que já estavam na fase telógena.
  • Evite Traumas Mecânicos: Reduza o uso de químicas agressivas (alisamentos, tinturas), o calor excessivo de secadores e chapinhas, e evite penteados muito apertados que puxam os fios.
  • Controle o Estresse: Este é o pilar. Além das técnicas citadas, garanta um sono de qualidade, pois a regeneração celular ocorre principalmente durante o descanso.
  • Paciência: A recuperação capilar é um processo lento. Como o cabelo cresce em média 1 centímetro por mês, a recuperação total do volume pode levar de 6 a 12 meses após o controle do fator desencadeante.

Busque Ajuda Profissional

A queda de cabelo após COVID-19 e estresse é uma manifestação do Eflúvio Telógeno, uma condição que, apesar de assustadora, é majoritariamente temporária. Contudo, o impacto na saúde mental e a possibilidade de outras causas de queda exigem atenção.

Não se autodiagnostique nem adote tratamentos por conta própria. O primeiro e mais importante passo é sempre procurar um médico. Este profissional fará o diagnóstico correto, descartará outras doenças (como tireoide ou anemia), e desenvolverá um protocolo de tratamento personalizado para que seus fios voltem a crescer fortes e saudáveis. Cuide da sua saúde, e o seu cabelo voltará a brilhar.

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